Cientistas testam ‘maconha artificial’ contra Parkinson

Fonte: Folha Online

08/02/2007 – 06h33

da BBC Brasil

Cientistas americanos testaram, com sucesso, um composto à base de ‘maconha artificial’ que pode ajudar no tratamento do Mal de Parkinson.

Eles usaram ratos de laboratório que sofrem da doença para testar um coquetel que aumenta os níveis de substâncias naturais no cérebro que geram efeitos semelhantes aos da maconha.

Os ratos – que foram projetados geneticamente para apresentar os sintomas da doença degenerativa que causa tremores, movimentos espasmódicos e rigidez – puderam se movimentar normalmente 15 minutos depois de terem ingerido o coquetel.

O coquetel é feito de um remédio tradicional para a doença e um composto que estimula a produção dos chamados endocanabinóides.

Nova Terapia

A pesquisa, liderada por Robert Malenka e Anatol Kreitzer do Centro Médico da Universidade de Stanford, na Califórnia, foi publicada nesta quarta-feira na revista Nature.

“Este estudo mostra uma potencial nova terapia para o Mal de Parkinson”, disse Malenka.

“Claro que ainda existe um longo caminho antes dos testes em humanos, mas, mesmo assim, identificamos uma nova forma potencial de manipular os circuitos cerebrais que estão funcionando mal devido à doença.”

O Mal de Parkinson está ligado à diminuição dos níveis de dopamina, substância produzida em uma parte do cérebro chamada de striatum.

Como resultado da queda dos níveis de dopamina, menos deste químico vai para a parte do cérebro que ajuda a coordenar o movimento.

Para compensar esta diminuição, pacientes com Parkinson recebem remédios que estimulam a produção ou imitam a dopamina, apesar destes tratamentos terem efeitos colaterais além da possibilidade de perder o efeito durante os anos.

Trabalhando com ratos, a equipe liderada por Malenka descobriu que o striatum tinha dois tipos de célula, cada uma formando um circuito que inicia o movimento ou reprime movimentos indesejáveis.

Um dos tipos de célula tinha um tipo de receptor de dopamina que a outra não tinha. A equipe então analisou trabalhos anteriores a respeito de um químico natural do cérebro, semelhante ao encontrado na maconha, endocanabinóides.

Eles combinaram uma imitação da dopamina, quinpirole, com um novo composto teste, URB597, que desacelera a enzima que quebra os endocanabinóides no cérebro.

“O remédio de dopamina sozinho fez pouco e o que tinha a enzima como alvo não fez nada sozinho. Mas quando os dois foram dados juntos, os animais apresentaram uma melhora dramática”, disse Kreitzer.

Os pesquisadores afirmam, entretanto, que fumar maconha não teria o mesmo resultado.

A pesquisa deles visa estimular a atividade de endocanabinóides em uma parte específica do cérebro onde já ocorre naturalmente.

Este processo é mais preciso do que simplesmente aumentar níveis de endocanabinóides em todo o cérebro com a droga, segundo os cientistas.


Novo tratamento com canabidiol é eficaz em pacientes com Parkinson

Publicado em SaúdeUSP Online Destaque por Redação em 16 de outubro de 2014

Por Rosemeire Soares TalamoneFoto: Marcos Santos / USP Imagens

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Pela primeira vez em humanos, estudo com canabidiol (CDB) mostrou eficácia para melhorar a qualidade de vida e bem-estar geral em pacientes com Doença de Parkinson. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, “com a vantagem de não ter apresentado nenhum efeito colateral”.

O professor Crippa explica que até hoje todos os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson atuam primordialmente no sistema dopaminérgico, conjunto de receptores da dopamina, substância química que tem um papel fundamental no controle das funções mentais e motoras, como a regulação da atenção, do estado de ânimo, a memória, a aprendizagem e o movimento, por exemplo. “Essa pode ser a causa de efeitos colaterais como alucinações, náuseas, delírios e de uma outra complicação motora chamada discinesia tardia, entre outras”.

Para o professor, o CDB provavelmente atua no sistema endocanabinoide, formado por um conjunto de neurotransmissores que são semelhantes aos compostos químicos existentes na Cannabis sativa, planta de onde é extraída a substância canabidiol. “Isso pode explicar a ausência de efeitos colaterais e, com isso, dá um importante passo para uma nova opção de tratamento da doença”, diz.Foto: Wikimedia Commons

Foto: Wikimedia Commons

Outro aspecto apontado pelo pesquisador como animador foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

O estudo

Durante seis semanas, 21 pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson, sem demência ou problemas psiquiátricos, participaram do estudo. Os pacientes foram divididos em três grupos, um recebeu placebo, ou seja, somente com o óleo de milho, outro recebeu o CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho e o terceiro o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho. O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pacientes nem os profissionais que os acompanharam sabiam a que grupo cada sujeito pertencia.

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. A droga dissolvida em óleo de milho foi colocada em cápsulas de gelatina, que foram armazenadas em frascos de vidro escuro. “As cápsulas somente com óleo de milho e com CDB foram fornecidas em cápsulas idênticas”, afirmam os pesquisadores.

Todos os pacientes participantes do estudo foram avaliados quanto aos sintomas motores e não motores da doença, por meio de instrumentos que inclui o Parkinson Disease Questionnaire–39 (PDQ-39), considerado atualmente o mais apropriado para avaliação da qualidade de vida e de sensação de bem-estar do paciente com Parkinson, segundo os pesquisadores. “Dentre os sintomas motores, podemos citar os tremores, sendo que entre os não motores estão, por exemplo, a apatia e a depressão, sintomas comuns em quem tem Parkinson”, relata o professor Crippa.Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foi relatada percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “E esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores. E foram significantes para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia”, comemora o professor.

Os resultados acabam de ser publicados no Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia. Além do professor Crippa, também participaram do estudo os pesquisadores Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da FMRP, e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Mais informações:  (16) 3602-2201 ou e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

Novo tratamento com canabidiol é eficaz em pacientes com Parkinson

Editoria: SaúdeUSP Online Destaque – Autor: Redação – Data: 16 de outubro de 2014

Palavras chave: CanabidiolComunidade USPDoença de Parkinson,Faculdade de Medicina de Ribeirão PretoFMRPImprensaJosé Alexandre Crippa,Qualidade de vida


Troca de comentários bem humorados feitos no fórum da Parkinson uk (United Kingdom), acerca da característica da maconha em prejudicar a memória de curto prazo…

Olá (por BubbaKush),Eu só queria fornecer algumas informações sobre a cannabis como um possível tratamento para quem sofre de DP. Agora, há muita desinformação sobre cannabis lançada pela mídia e governo – especialmente neste país, mas eu não vou abordar isso aqui, eu só quero focar os benefícios médicos que ela pode proporcionar.
Em certos Estados da América onde a cannabis medicinal é legal, os DP podem, sem medo de punição, comprar e usar cannabis. A Cannabis demonstrou ser muito eficaz no tratamento dos sintomas associados com a DP. Aqui estão algumas provas de vídeo:


Tem alguém aqui que experimentou a cannabis para tratar PD? Tenho certeza de que a sua ilegalidade afasta as pessoas, mas se ela funciona, então eu sinto que é mais importante do que uma lei irracional.
Comentário (por Gus):sim eu tentei nos primeiros dias da minha dp e tudo relaxou, e suponho o que mais fez de tudo foi me fazer esquecer!(original em inglês, tradução Google, versão para português Hugo)

Fonte: Parkinsons.uk.

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